quinta-feira, 22 de julho de 2010

E lá está ele, de novo, em seu canto, encolhido. Seus olhos vermelhos -que se fossem de choro, não espantaria a ninguém- a tomar conta da sua face, de novo se arranhara com as próprias unhas. A garganta seca começara a raspar há algum tempo, já sentia o gosto de sangue na língua, nem água conseguira beber. Ninguém conseguiria entender aquela situação.
"Me deixe em paz" suplicava o garoto, mas suas palavras ecoavam no vazio, não existia ninguém ao seu lado, o que o rodeava eram apenas pensamentos, que incessantes, lhe faziam querer tacar a cabeça na parede com força bruta, que com certeza, lhe traria a um momento de inconsciência, mas a meta era por os pés no chão, pelo menos por um segundo, para conter aquele peso em seu peito.
Finalmente ele pode olhar para frente, sentir o chão gélido que tocava suas partes íntimas, e cair em sã consciência e dizer, 'O que foi que eu fiz?'. Não adianta tentar fugir, se tudo está dentro de mim, aprender a conviver com isso, lhe parecia ser a unica solução.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Parece que as sombras são mais bonitas vistas daqui", disse o garoto. "Elas deixam de ser apenas falta de luz, se tornam essência, se tornam espírito."
Ele nunca fez com que ela sonhasse, pra ele era tudo igual, não tinha nada de especial. Um dia mostraram a ele o que realmente significava tudo aquilo, mas ele era apenas uma criança, não entendia o mundo, até achou que estavam brincando com ele.
Até um dia que ele sentiu na pele, sentiu como se fosse uma navalha dilacerando sua pele, o sangue quente escorrendo nas suas costas. As lágrimas escorriam de seus olhos, e se explodiam com o ar que saía de sua boca enquanto falava. O chão parecia ser mais duro do que imaginava, o precipício parecia ser maior. Quem lhe dissera que seria fácil? Não confias em que nunca caiu.
Os olhos que brilhavam de esperanças vãs tocava todos que o via, menos quem realmente precisava. Parecia que suas palavras não chegava aos ouvidos certos, permaneciam no ar, para quem quisesse ouvir. O tempo dirá, ouviu ao fundo.'Que se dane o tempo, eu não tenho tempo, eu não controlo o tempo.' Parecia estar tudo distorcido.